sábado, setembro 22, 2012

Aos pacotes

[...]
- ...nunca digas "desta água não beberei..."
- Não puto, digo. Tu fazes o que quiseres, mas com o que está ali a boiar - e vê-se bem - vais-me desculpar mas vou escolher não beber. Não bebo. Ah, e a propósito, tu metes-me nojo.

quarta-feira, setembro 12, 2012

Suspeita


A governar assim, até este meio pêssego tinha feito um brilharete.
Por acaso foi pena, tinha dado um excelente Primeiro Ministro. Acreditem.

quinta-feira, agosto 16, 2012

Só cenário

- [...] A acompanhar a situação encontra-se o repórter Júlio Mendes. Boa noite Júlio, como descreverias todo esse cenário?
- Boa noite, o cenário que encontrei... o medo sente-se no ar, as pessoas estão visivelmente preocupadas com os últimos acontecimentos mas, pior, preocupadas com o seu futuro. Muitas perguntam-nos se as podemos ajudar... estão visivelmente abaladas...
- Dirias então que é um cenário aterrador?
- Não, aterrador não diria.
- Terrível?
- Humm... não, terrível também não me parece que seja.
- ... não?
- Não, não.
- ... preocupante, talvez?
- As pessoas estão preocupadas mas "preocupante" não é o adjectivo que utilizaria para descrever o cenário.
- Ai não?
- Não, não. Preocupante não.
- Então? "Negro"?
- Não.
- "Instável?"
- Não.
- "Periclitante"?
- Credo, não! Periclitante?!
- Então está como?
- O quê? O cenário?
- Sim, o cenário! Está como o cenário?
- O cenário... o cenário está tipo strefans.
- Tipo quê?
- Tipo strefans, a roçar quase o strefans spinfans.
- Strefans quê? Júlio, isso não são palavras.
- Não?
- Não não Júlio, isso não existe.
- Mas olha que é assim que está.
- Júlio...
- Eu é que estou aqui, eu é que sei. Está strefans.
- Não insistas Júlio, diz-me só como está o cenário...
- Então está "qualquer coisa".
- Isso não é nada Júlio.
- Não?
- Não, Júlio. Eu gostava de te lembrar que és um jornalista profissional e que está em directo para o Telejornal.
- Então "qualquer coisa" agora não é nada?
- Não é! Qualquer coisa não é nada!
- Ah, espera! É uma dupla negação! Assim está bem, se não é nada só pode ser qualquer coisa portanto.
- Hã?
- É isso é, peço desculpa. Faz sentido. E pronto, passo para ti a emissão.
- Passas a emissão?? Ainda não descreveste o cenário!
- Vou indo e tal.
- Júlio? Júlio!
- Uma boa noite.
- Júlio! Tu não me ignores Júlio!
- ...
- Júlio! Olha que eu sei onde vives Júlio!
- ...
- F!



quinta-feira, agosto 02, 2012

Marquês: um sitio à parte

Toda a gente já passou na Praça Marquês de Pombal.
Para quem passou mas não deu conta, o "Marquês" foi aquele sitio onde o carro em que seguia foi buzinado ou buzinou àquele outro que se atravessou à frente, convencido de que cortar 5 faixas para se dirigir para a saída imediatamente a seguir era coisa que não ia causar transtorno a ninguém, mas que acabou virado de pernas para o ar porque bateu num autocarro. Coisas que acontecem. Talvez tenha explodido.

O "Marquês" é aquele sitio onde acontece quase de tudo e onde se faz quase de tudo, excepto ir - efectivamente - onde se deve.



Existe um código, uma conduta própria que o automobilista deve seguir assim que chega à rotunda:
- O automobilista aponta a dianteira do veículo à faixa onde pretende entrar - ou apenas parte da dianteira do veículo, caso o resto da referida faixa de rodagem esteja ocupada pelo veículo que circula na faixa ao lado mas que, em duvida acerca da faixa onde deve seguir, decide seguir um pouco pelas duas - e deixa a magia acontecer.

As opiniões dividem-se nesta ultima parte. 
Enquanto uns dizem que o correcto é deixar a magia acontecer naturalmente, outros defendem que a magia não é mais do que a arte de iludir e que tal envolve muito trabalho, sendo o treino rigoroso a forma fundamental para um correcto - ainda que totalmente aleatório - atravessamento da rotunda.

Há até quem reze, enquanto o veículo é - inevitavelmente - contornado por um sem numero de automóveis que acabaram de bater, bateram ou vão bater, mas o certo é que o fazem enquanto seguem pela faixa errada.

Numa rara visão de futuro, pode-se dizer que não foi por coincidência que os artistas Francisco Sanches, Adão Bermudes e António de Couto colocaram um leão ao lado do Marquês de Pombal, no seu monumento em homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo.


Será símbolo de poder e força, claro, mas desde 1934 que lembra aos Lisboetas que, mais do que uma rotunda, aquilo é uma selva.
E é o que aquilo é, de facto.

quarta-feira, julho 25, 2012

Transtorno

O Banco de Portugal irá reter o pagamento dos subsídios de férias e de Natal aos trabalhadores e pensionistas, entre os quais se encontra o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e a ex-ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, até que os tribunais decidam a questão jurídica colocada contra a aplicação da lei.

Os tribunais prometeram tratar do assunto até ao almoço de amanhã, "o mais tardar até ás 17H não vá o Antunes se atrasar na máquina das fotocópias".
E pediram desculpa, muita desculpa, pelo incomodo causado.
E choraram um bocadinho.


E pediram outra vez desculpa.
Muita desculpa se pediu ali...

terça-feira, junho 26, 2012

A filosofia na vida

- ... e quando damos por nós, tudo passou. Somos farrapos de nós mesmos. Reparem, "somos" e "de nós mesmos", conjecturas numa afirmação que mais não é que lógica, aquilo a que gosto de chamar "redundância filosófica" e na qual se baseiam milhares de textos, afirmações com pretensão de se tornarem profundas, míticas... não passando, porém, de simples lógica. 
Como o "tudo", como "o tudo que passou". Nada passa, ou melhor, o "tudo" nunca passa definitivamente. Se o "tudo" passasse, o "nada" seria o que nos restaria para afundar, na impossibilidade de nos afundarmos em algo que não existe. 
Uma possibilidade... - reparem - a apresentação de uma possibilidade impossível, como solução para algo que não tem - na verdade - resolução. Eu se calhar pedia 5 minutos do nosso tempo para meditarmos, para analisarmos esta questão da "possibilidade impossível" que funciona como um fardo, um fado, um quase acto heróico pois o "eu" sabe que não tem salvação e compararmos esta questão com a outra, a do "sermos o que não somos" e até que ponto toda esta apresentação de falsas realidades influência o "eu" na dinâmica do "Strefans Spinfans". 
Talvez muitos acharão de que se trata de tempo perdido. Porém, se muitos acharem tal tarefa "tempo perdido", tal significa que a minoria estará correcta. Vejamos, o "tempo perdido" nunca pode ser "achado". Se o "tempo" se encontra "perdido", ninguém o poderá - de verdade - "achar" e quem o julgue ter feito apenas estará redondamente equivocado. Neste caso, a maioria. Contudo, o cenário seria completamente diferente se quem "acha" quisesse apenas "considerar". Aí nada de errado haveria a apontar.
Até aqui tudo entendido? Alguma questão? 
- Oiça... eu nem sei... 
- Força, estamos aqui é para esclarecer essas duvidas! 
- O senhor sabe que isto é uma portagem, certo? O senhor está bem? 
- Sabe, é curioso, agora que diz isso... talvez não tenha sido boa ideia misturar aguarrás no café. Mas se virmos bem, actualmente já não é bem apenas uma "ideia", uma vez que eu misturei mesmo aquilo com a saqueta do Nescafé...



segunda-feira, junho 25, 2012

Strefans Spinfans


- Perguntei-me, algumas vezes, como teriam sido as tuas últimas palavras - quais teriam sido - se te tivesse pedido que mas dissesses. Pensei nisso várias vezes, como se alguém soubesse - à distancia - que aquelas seriam as últimas palavras, o último momento no qual pudesse ser dita alguma coisa. No qual valesse a pena dizer alguma coisa. Uma palavra. Uma frase. Uma última combinação, um último alinhamento de palavras, uma última escolha. Somos todos folhas em branco. Pensei nisso várias vezes, demasiadas até...
- "Strefans Spinfans".
- ...diz?
- "Strefans Spinfans"!
- Poooooooooois... não eram essas.


quinta-feira, junho 14, 2012

Já agora


- Bom, foi tudo muito giro e tal, mas já agora aproveito para perguntar o que é que tens andado a fazer de tão especial, tão fixe ou tão brutal para ainda não teres parado um segundo de criticar tudo o que te rodeia para - sei lá - respirar?
- Tu respiras?!



domingo, junho 03, 2012

Se acha piada a isto...


... não se preocupe, é perfeitamente normal. Até é giro, não é?
Sim, é normal achar-se isso. 

Agora, se tem um, saia imediatamente! Ponha-se fora daqui e rápido, antes que me chateie!
Você tomou uma decisão, "quero mesmo andar num Nokia 3310 gigante", agora aceite as consequências!

É que nem um Nokia 3310 é, que esses não avariavam! E quando batiam em alguma coisa não se partiam todos!
Rua!!

A propósito, essa luz acesa no painel está a indicar uma despesa superior a 500 euros...
Fora daqui!!