«Dança: acto de dançar»
«Dançar: mover o corpo segundo as regras da cabeça»
«Dançarino: dançador de profissão, bailarino»
Boa noite.
Não, não estou aqui para falar acerca do programa da RTP, esse fenomeno que para alem de meter Portugal a dançar mostrou também que Catarina Furtado é já uma "senhora" na arte de encher chouriços em directo, usando as duas mãos - e quiçaz até um dos pés, o direito.
Não, vou apenas falar acerca de "dançar".
Dançar, mover o corpo...ritmo...
É oficial, eu não sei dançar.
Desde cedo percebi que não tinha jeito nenhum para dançar - porque é um facto, nem toda a gente o tem - e que a expressão "pés de chumbo" me acentava como uma luva.
E quando digo "cedo" digo "cedo o suficiente para não existirem vitimas".
Não é mau de todo não haverem vitimas, já que nos bailes de aldeia há sempre alguem que se lembra de morrer trespassado por um foguete ou de perder uma orelha ou levar um tiro...
Como vêem não é mesmo nada mau.
Mas conformei-me, não era o momento.
"Mais cedo ou mais tarde o jeito aparece", pensei eu.
Nunca apareceu.
Há até pessoas que afirmam terem-no visto a atravessar a fronteira em Badajoz.
A verdade é que nunca apareceu e hoje, ao ver alguem dançar, sinto inveja.
Não só porque sabe "mover o corpo segundo as regras da cabeça" mas também porque, ao contrário de mim, não o move como um Caterpillar de lagartas com a elegancia de um hipopótamo coxo.

É preciso ter ritmo, é preciso ter intensidade, é preciso ter...qualquer coisa...qualquer coisa que eu, infelizmente, não tenho.
Sou apenas um pés de chumbo, um humilde pés de chumbo...
Shall we dance?