quinta-feira, abril 21, 2016

Dodging bullets ou "A arte de desaparecer e cestos de vime"

Fazer o impossível e imaginar o inimaginável: isto é poesia.

Um jogo bonito de palavras que separadas são apenas isso, palavras, mas que juntas ganham uma dimensão que tem tanto de bonito como de injustificado, uma vez que separadas são apenas palavras e juntas apenas palavras continuam a ser.
Tretas com uma sonoridade engraçada. E há tantas.

Mas esqueçamos a poesia, estão a chegar os dias quentes.
E projectos há sempre porque muitos nunca o deixaram de ser.
Porque aqui faz-se um bocado de tudo. Quase magia.

Portanto: temos poesia e temos magia, o futuro tem de ser bom.



quinta-feira, dezembro 24, 2015

Atacadores

Ora, 2015 está a acabar e hoje, véspera de Natal, andei a embrulhar uns presentes e constatei que não fiz dois embrulhos iguais.
Aliás, não sei qual deles o mais bem feito, porque todos tinham "um truque", uma manha, uma dobra a mais, um vinco mal feito... mas não me preocupei muito, ou nada, porque aquilo é mesmo para desfazer aos rasgões.

Estabeleci, contudo, uma relação curiosa: eu embrulho presentes como aperto os meus atacadores.
Ou seja: ninguém faz como eu, qualquer um percebe que está mal feito e/ou que não deve ser bem assim mas, no fim, os atacadores estão atados, os presentes estão embrulhados e vamos todos às nossas vidas...

São coisas destas que nos fazem sentir verdadeiramente o Natal, não são?
Deus, não, livra!
São os cajus! O bolo rei, as filhoses, os coscorões, o arroz doce... 

...embrulhos mal amanhados?! Vocês devem estar é parvos!



Um Feliz Natal!

segunda-feira, outubro 19, 2015

De tirar o cavalinho

Se desistimos disto?
Tirem os cavalinhos da chuva.




Não, a sério, tirem os cavalinhos da chuva.
É uma frase que se percebe tão bem, qual é o vosso problema?!

terça-feira, setembro 15, 2015

A anedota do andor de 2 toneladas que era uma anedota

- ...mas ele morreu mesmo como, de doença?
- Não, calma! Para a procissão lá da aldeia fizemos um andor de 2 toneladas e ele caiu-lhe em cima e esmagou-o.
- Epá, essa também é muita boa! Olha esta: está um inglês, um francês e um português num bar...
- Mas que tipo de bar?
- Sei lá, num pub.
- Num pub?! Isso não faz sentido nenhum, vou-me embora...

quinta-feira, agosto 06, 2015

Compressas

Tu bem que te contorces, fechas os olhos, procuras encolher e juras que, se te cortares, não sangrarás, sairá ar ao invés. Mas não. És como os outros, és mais um.
Não és especial.
E mesmo sabendo que sangrarás dirás que não, que não foi fundo, talvez tenha ido mais fundo do que esperavas mas que te safarás bem com meia dúzia de compressas - que se assim foi com os outros também assim será contigo - e em dois ou três dias estarás de volta aos combates, serás mais um na linha que todos aguentam e onde todos esperam voltar a casa. Ela não cairá contigo.
Mas não és especial, já o sabias. E então desesperas.
Quando dás por ti não pensaste.
Quando dás por ti és ridículo.
E quando dás por ti és humano.

Somos todos. Menos o Mendes.
Esse era da Figueira da Foz.
O Mendes era parvo.


José Augusto Moreira, 71 anos,
Reformado

segunda-feira, agosto 03, 2015

Mecânismo

Todos na aldeia desejaram o novo sol.
E foi, com tranquilidade, que o viram erguer-se,
Rasgar o horizonte qual luz indomável,
Fonte de todo o poder, esperança e alegria,
Impondo o seu manto aos campos, às árvores e ás plantações.

Todos dançaram. A ninguém faltou contentamento.
Eis o novo sol.
Eis o novo brilho, o novo calor, a nova vida!
E, dançando, esgotaram 3 dias.

Porém, contudo, o sol era o mesmo.
E há quem diga que todos o sabiam.

domingo, julho 19, 2015

O homem que não sabia correr

O homem que não sabia correr, dizem, tinha das passadas mais bonitas do mundo.
E embora não o soubesse fazer, agora, como devia, eram-lhe atribuídas algumas das vitórias mais sensacionais de todos os tempos.
Um dia, ao perguntarem-lhe o que planeava fazer daí para a frente, ele sentou-se e sorriu.
E descascou uma banana com os pés.

Moral da história? Não faço ideia. E ele muito menos.


segunda-feira, junho 22, 2015

Poesia encapotada

Batem leve, levemente, 
Como quem chama por mim. 
Será chuva? Será gente? 
Gente não é, certamente 
E a chuva não bate assim. 

Fui ver, eram os Kelly Family. 
Todos. 
E tive de fazer de conta que não estava em casa.

quarta-feira, junho 10, 2015

O que são 20 anos entre amigos?

O eléctrico voltou, de novo, ao Príncipe Real.
Voltou dia 28 de Maio de 2015, praticamente 20 anos depois da ultima vez que tinha lá passado.
E não interessando sob que forma voltou, para turistas e não para os utentes de todos os dias, o que interessa é que voltou, as coisas parecem estar a mudar e, diz-se, não acabarão por aqui.
E tudo isto é tão interessante para mim.

Na minha linha temporal é como se tivesse passado lá há alguns anos. Mas nunca há 20.
Contudo, prova irrefutável que de facto a vida voa, passei em 1994.
Se pensar bem sobre isto, passei os últimos 20 anos à espera e 20 anos são muitos, muitos anos.
Ao longo da minha vida mudei de escolas, fiz amigos, perdi familiares, fui operado, comprei carros, fiz toda uma vida perfeitamente normal. E agora vejo o eléctrico ali, de novo.


É, parece que está a mudar.
E faço figas para estar certo, enquanto tenho a noção do que são 20 anos.
Vinte anos são muitos, muitos anos. 




terça-feira, maio 19, 2015

Semana John McTiernan

Inauguramos esta semana dedicada a John McTiernan falando... de John McTiernan.
Confesso que lhe dedico esta semana embora durante muitos anos, e até há bem pouco tempo, desconhecesse a vastidão da sua obra mas vejo-o, hoje, como um marco da sétima-arte e de toda a arte em geral.
Um verdadeiro Marco. Embora se chame John. Mundo curioso, este.

Faz-me lembrar o meu tio Rodrigo.
Durante muitos anos chamei Rodrigo ao meu tio, era pequeno, e foi com uma certa incredibilidade que mais tarde soube, através de terceiros, que não só o meu tio Rodrigo não se chamava Rodrigo como também não era meu tio. E que era pequeno, não eu mas sim o meu tio, que não era meu tio, porque era um anão, o único anão residente em Santa Comba Dão em 1990.

O meu tio, que não era meu tio, como John McTiernan não é Marco embora, e é preciso relembrar, seja, para mim, um marco não só da sétima-arte como de toda a arte em geral.

Mas porquê John McTiernan?
Uma questão pertinente que pode, e merece, ser respondida com outra pergunta: e porque não?

Porque não dedicar uma semana ao génio que deu fez de Bruce Willis o herói de Die Hard ou de Schwarzenegger a força d"O Predador"?
Porque não dedicar uma semana ao inventor que, em 1982, decidiu dedicar-se aos curtumes, numa herdade perto de Beja, utilizando uma técnica então ainda completamente desconhecida de curtir peles usando um piano de cauda do século IXX, à base de copos de cortiça prensada, ao artista plástico que só no ano passado vendeu mais de 100 obras, a maioria em guache e tinta acrílica, e que era, em 1996, o único a pintar com o auxilio do pénis?

Por tudo isto e por muito mais damos assim inicio à semana John McTiernan, uma homenagem não só ao homem mas também ao génio e ao empresário da panificação que, ainda em 2002, olhou para um pão com chouriço e perguntou "que merda é esta?".