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quinta-feira, agosto 16, 2012

Só cenário

- [...] A acompanhar a situação encontra-se o repórter Júlio Mendes. Boa noite Júlio, como descreverias todo esse cenário?
- Boa noite, o cenário que encontrei... o medo sente-se no ar, as pessoas estão visivelmente preocupadas com os últimos acontecimentos mas, pior, preocupadas com o seu futuro. Muitas perguntam-nos se as podemos ajudar... estão visivelmente abaladas...
- Dirias então que é um cenário aterrador?
- Não, aterrador não diria.
- Terrível?
- Humm... não, terrível também não me parece que seja.
- ... não?
- Não, não.
- ... preocupante, talvez?
- As pessoas estão preocupadas mas "preocupante" não é o adjectivo que utilizaria para descrever o cenário.
- Ai não?
- Não, não. Preocupante não.
- Então? "Negro"?
- Não.
- "Instável?"
- Não.
- "Periclitante"?
- Credo, não! Periclitante?!
- Então está como?
- O quê? O cenário?
- Sim, o cenário! Está como o cenário?
- O cenário... o cenário está tipo strefans.
- Tipo quê?
- Tipo strefans, a roçar quase o strefans spinfans.
- Strefans quê? Júlio, isso não são palavras.
- Não?
- Não não Júlio, isso não existe.
- Mas olha que é assim que está.
- Júlio...
- Eu é que estou aqui, eu é que sei. Está strefans.
- Não insistas Júlio, diz-me só como está o cenário...
- Então está "qualquer coisa".
- Isso não é nada Júlio.
- Não?
- Não, Júlio. Eu gostava de te lembrar que és um jornalista profissional e que está em directo para o Telejornal.
- Então "qualquer coisa" agora não é nada?
- Não é! Qualquer coisa não é nada!
- Ah, espera! É uma dupla negação! Assim está bem, se não é nada só pode ser qualquer coisa portanto.
- Hã?
- É isso é, peço desculpa. Faz sentido. E pronto, passo para ti a emissão.
- Passas a emissão?? Ainda não descreveste o cenário!
- Vou indo e tal.
- Júlio? Júlio!
- Uma boa noite.
- Júlio! Tu não me ignores Júlio!
- ...
- Júlio! Olha que eu sei onde vives Júlio!
- ...
- F!



terça-feira, junho 26, 2012

A filosofia na vida

- ... e quando damos por nós, tudo passou. Somos farrapos de nós mesmos. Reparem, "somos" e "de nós mesmos", conjecturas numa afirmação que mais não é que lógica, aquilo a que gosto de chamar "redundância filosófica" e na qual se baseiam milhares de textos, afirmações com pretensão de se tornarem profundas, míticas... não passando, porém, de simples lógica. 
Como o "tudo", como "o tudo que passou". Nada passa, ou melhor, o "tudo" nunca passa definitivamente. Se o "tudo" passasse, o "nada" seria o que nos restaria para afundar, na impossibilidade de nos afundarmos em algo que não existe. 
Uma possibilidade... - reparem - a apresentação de uma possibilidade impossível, como solução para algo que não tem - na verdade - resolução. Eu se calhar pedia 5 minutos do nosso tempo para meditarmos, para analisarmos esta questão da "possibilidade impossível" que funciona como um fardo, um fado, um quase acto heróico pois o "eu" sabe que não tem salvação e compararmos esta questão com a outra, a do "sermos o que não somos" e até que ponto toda esta apresentação de falsas realidades influência o "eu" na dinâmica do "Strefans Spinfans". 
Talvez muitos acharão de que se trata de tempo perdido. Porém, se muitos acharem tal tarefa "tempo perdido", tal significa que a minoria estará correcta. Vejamos, o "tempo perdido" nunca pode ser "achado". Se o "tempo" se encontra "perdido", ninguém o poderá - de verdade - "achar" e quem o julgue ter feito apenas estará redondamente equivocado. Neste caso, a maioria. Contudo, o cenário seria completamente diferente se quem "acha" quisesse apenas "considerar". Aí nada de errado haveria a apontar.
Até aqui tudo entendido? Alguma questão? 
- Oiça... eu nem sei... 
- Força, estamos aqui é para esclarecer essas duvidas! 
- O senhor sabe que isto é uma portagem, certo? O senhor está bem? 
- Sabe, é curioso, agora que diz isso... talvez não tenha sido boa ideia misturar aguarrás no café. Mas se virmos bem, actualmente já não é bem apenas uma "ideia", uma vez que eu misturei mesmo aquilo com a saqueta do Nescafé...



segunda-feira, junho 25, 2012

Strefans Spinfans


- Perguntei-me, algumas vezes, como teriam sido as tuas últimas palavras - quais teriam sido - se te tivesse pedido que mas dissesses. Pensei nisso várias vezes, como se alguém soubesse - à distancia - que aquelas seriam as últimas palavras, o último momento no qual pudesse ser dita alguma coisa. No qual valesse a pena dizer alguma coisa. Uma palavra. Uma frase. Uma última combinação, um último alinhamento de palavras, uma última escolha. Somos todos folhas em branco. Pensei nisso várias vezes, demasiadas até...
- "Strefans Spinfans".
- ...diz?
- "Strefans Spinfans"!
- Poooooooooois... não eram essas.


segunda-feira, abril 18, 2011

Autor comete erro?

Foi pelas 23:30H que Ads, autor do blog que mais vezes esteve para emitir textos contendo a palavra "Sernancelhe", publicou um post sem sentido no seu blog.


O post, que mais não é que uma fotografia ao contrário com o texto "fotografia ao contrário", trata-se - segundo o autor - "daquilo a que - seguramente - podemos chamar um post muito strefans, pois contém o lançamento da fotografia - no presente -, seguido da referência em tom de noticia do lançamento da fotografia como acontecimento passado e ainda um comentário meu acerca do sucedido. A isto tudo somamos a fotografia em si, que é o texto "fotografia ao contrário" ao contrário, que é um paradoxo interessantíssimo e que se encontra neste preciso momento a ser estudado em duas partes diferentes do mundo, sendo que nenhuma delas é a zona oeste de Amiais de Baixo o que só pode ser bom. Ou então sintoma de excesso de vitamina B12, não sei, não sou médico".

Aguarda-se entretanto um comunicado oficial da Ordem dos Médicos, embora não se saiba ao certo qual o seu papel neste processo ou até se têm algum papel... que isto a vida está má para todos.
Provavelmente terão... eles ganham bem... aguardemos. Também não tinhamos mais nada para fazer mesmo...

terça-feira, janeiro 18, 2011

Amador


Via rádio:

- Boa noite, daqui fala o Comandante Santos.
- Estou? Sim! Daqui é o piloto... precisamos muito da sua ajuda!
- Sim, já me puseram ao corrente da situação... problema de software?
- Nenhum comando responde às nossas acções... isto está mau, isto está mau!!
- Calma, antes de mais calma! Como se chama?
- António, António Macedo!
- Sr. António, vamos aterrar esse avião? Pode-me ajuda a aterrar esse avião?
- Sim, desculpe, claro... vamos a isso, desculpe...
- Calma rapaz. Sabe pilotar em modo manual, certo?
- Sim, sei.
- Então vamos lá. Ponha em modo manual.
- Já está.
- A luz 37 está acesa, certo? Como está a altitude?
- Acendeu agora, o manómetro da altitude não regista...
- Ok, esqueça o manómetro, confie em mim...
- Ok, ok...
- Puxe suavemente a menete do "Strefans".
- Desculpe?
- Puxe suavemente a menete do "Strefans".
- Qual manete do "Strefans"?
- Aquela amarela.
- Amarela? Não há manetes amarelas!
- Ao lado do "Quilimambo".
- Ao lado do quê?
- "Quilimambo".
- Qual "Quilimambo"?
- O botão de "Trif-tit".
- Não estou a perceber nada! Isto está a apitar!!
- O "Loctrik"?
- Vamos bater!!!
- E o "Strefans"?
- ...