segunda-feira, setembro 27, 2010

Carta de um Geologo à esposa, 1926

Sede

"A terra fina, quase tão suave como a tua pele... e um horizonte a perder de vista.
Estamos como desterrados. Temos pouca água.
Não podemos dizer que não sabemos onde estamos. Aquilo que na prática se assemelha ao inferno é - em teoria - algo que se assemelha a um jazigo filoneano ou então tipo greisen, dada a presença de cassiterite... mas talvez mais um jazigo do tipo greisen, visto ser essencialmente composto por mineralizaçãoes de cassiterite disseminada em lentículas e/ou chaminés, no seio de uma paragénese de alteração constituida por quartzo, mica, fluorite e topázio.
Engraçado... agora que o escrevo torna-se impensável ter colocado a hipotese de se tratar de um jazigo filoneano, que na sua genese são preenchimentos de fracturas e/ou veios de substituição constituidos essencialmente por quartzo, cassiterite e minerais da série da volframite (hubnerite-ferberite)... visualmente ausente neste filão.
Amanhã de manhã vamos escavar um pedaço para amostra, eu aposto que sejam basicamente rochas graníticas peraluminosas mas nunca se sabe.
Quero beijar-te... quero-te. Já quase não recordo o cheiro do teu cabelo.
Não devo tardar a voltar, pelo que te vejo em breve...


... a não ser, claro, que isto seja mesmo um jazigo filoneano.
Aí é que está tudo f..."

2 comentários:

aryabodhisattva disse...

Oh homem, de onde é que te surgem estas ideias? Este blog tem algo de génio louco!!!

Ads disse...

As ideias francamente não sei, mas vão saindo...
E esse comentário tem qualquer coisa que dispõe bem uma pessoa, quase como uma festinha no ego. Acho que é a parte do "génio" ;D